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segunda-feira, 5 de março de 2012

Explicação de Bijuterias - João Bosco

Que João Bosco é um dos melhores compositores da MPB não há como se negar. Mas, há algumas pessoas que não conseguem entender as letras complexas e profundas que João compôs. Há uma, em especial, que muitas pessoas avacalham o compositor pois dizem ser uma letra sem nexo e sem sentido algum. Chama-se 'Bijuterias' e é uma das mais famosas do João, sendo tema de abertura da novela 'O Astro', tanto na versão antiga quanto na adaptada recentemente. Abaixo está um vídeo e a letra da música para quem não conhece. Depois, vamos às explicações.



Em setembro
Se Vênus me ajudar
Virá alguém
Eu sou de virgem
E só de imaginar
Me dá vertigem
Minha pedra é ametista
Minha cor, o amarelo
Mas sou sincero
Necessito ir urgente ao dentista
Tenho alma de artista
E tremores nas mãos

Ao meu bem mostrarei
No coração. Um sopro e uma ilusão
Eu sei
Na idade em que estou
Aparecem os tiques, as manias
Transparentes Transparentes
Feito bijuterias
Pelas vitrines
Da Sloper da alma

A música é realmente confusa se ler sem atenção. Ou até mesmo quando se lê com atenção ela continua confusa. Mas interpretando à fundo, temos boas explicações que elucidam algumas dúvidas.
Primeiro (versos iniciais): ele fala do signo de Virgem, que fica claro no 5º verso. Os três primeiros versos, então, se fala sobre a astrologia daquele signo.
Segundo (cor amarela e pedra ametista): a pedra do signo não é a ametista.Ou é erro de composição (que duvido muito) ou só para rimar mesmo. A cor está certa. É uma das cores do signo.
Terceiro (necessito ir urgente ao dentista): esse é o verso de mais polêmico. Muitos o chamam a música de ridícula só por causa dele. O que acontece ´é que os virginianos são preocupados com a saúde. Por isso ele está desesperado para ir à um médico.
Quarto (tenho alma de artista): tal como librianos, virginianos tem alguma relação com as artes.

Algumas partes eu expliquei e outras continuam um mistério. Mas com um pouco de interpretação pessoal, pode-se chegar à algumas conclusões. Mas uma coisa eu digo: essa música não é sem sentido e sem noção. Tem um sentido muito próprio, onde cada um deve tirar suas opiniões.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sinto Vergonha de Mim

Há um tempo atrás o apresentador, cantor e compositor Rolando Boldrin, declamou em seu programa um belíssimo poema chamado "Sinto Vergonha de Mim". Esta poesia foi composta por Cleide Canton, parafraseando, em diversos momentos, Rui Barbosa.


Rolando disse que declamou este poema devido à situação que vivia o Brasil nesta época, mais especificamente no ano de 2007. Mais recentemente Rolando declarou-o de novo, considerando que a situação permitia tal declamação.

Quem quiser ler o poema, ao invés de vê-lo declamado, a letra é a seguinte:



"Por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
Que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

'Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo
que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
Tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!"




terça-feira, 30 de agosto de 2011

Samba composto por mim

Eu sou um apreciador de samba e tento, por muitas vezes, compor algo que se preste. Há um tempo atrás, na minha aula de matemática, me deu vontade de compor alguma música e compus esta letra:


Estava eu
Num jardim a declamar

Um poema
Para meu amor
                     
No meio da melodia
Já estava de dia
Com o sol a raiar (BIS)

Com o meu violão
E o meu tamborim
O que será de mim?
Nessa solidão

De repente percebi a verdade
E perguntei
Onde estava meu amor?

Estava só
O poema indo ao léu
Estava declamando para o céu 


A música já tem melodia e já até foi musicada. Provavelmente, muito em breve, postarei algum vídeo ou áudio com a letra e a melodia. Ainda não decidi um nome para ela, e estou pensando sobre. Muito em breve, quem sabe, ela se tornará uma música de verdade.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Porque Trem das Onze?

Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã.
Além disso, mulher
Tem outra coisa,
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar,
Sou filho único
Tenho minha casa para olhar



Quem nunca ouviu os famosos versos acima? Sim, hoje iremos novamente falar sobre o Mestre Adoniran Barbosa. Muitos se perguntam o porque de Adoniran ter escrito a letra "Trem das Onze" com um trem saindo às onze horas e porque da personagem morar em Jaçanã. Bom, lá vai a explicação.




O horário até hoje é um enigma. Nunca saiu um trem da estação Jaçanã às onze horas. Provavelmente usou este horário somente para rimar. Porém era verdade que existia uma estação em Jaçanã, demolida posteriormente. Segundo consta em sua biografia, Adoniran foi até lá no dia da derrubada fazer uma "singela" homenagem.  


Já a história de Jaçanã é outra. Vou contar uma passagem que o cantor, compositor e zoólogo Paulo Vanzolini contou sobre tal enigma:
Certa vez perguntei ao Adoniran o porque de na música 'Trem das Onze' ele diz "moro em Jaçanã" se os moradores locais dizem "moro no Jaçanã". Adoniran com muita calma me respondeu: 'Eu sei lá onde fica essa porcaria!'.
Ou seja, Adoniran escreveu sobre o Jaçanã só pra rimar. Não tinha ideia de onde ficava o Jaçanã, mesmo morando em São Paulo!! Outra curiosidade: Adoniran morria de medo de trem, pois temia ficar preso nas portas quando eram fechadas!


Ele era mesmo o Mestre! Viva Adoniran Barbosa!!